As Diferentes Capacidades de Amar
Quando nos envolvemos afetivamente com alguém que aparentemente nos completa
(principalmente quando não chegamos a conviver na mesma casa) criamos muito facilmente ilusões. Interpretamos as palavras e os gestos da pessoa amada pelo nosso arquivo emocional e frequentemente nos enganamos. Por que isso acontece?
Um renomado estudioso de relacionamentos chegou a afirmar que nas vezes em que questionava um casal em separado percebia claramente que o casamento não era o mesmo para os dois: um via e interpretava o casamento de um modo, e o outro de forma diferente. Eram dois casamentos diferentes para duas únicas pessoas. Havia casos em que um estava de fato feliz, e o outro não.
Incrível, não é mesmo? Porém as diferentes capacidades de amar explicam esses casos. Há pessoas mais simples, que vivem um dia a dia sem tantas necessidades, e ter uma pessoa do lado é suficiente para não sentir-se só. Outros, mais exigentes, querem cumplicidade, querem sentir que caminham para um relacionamento perfeito ou que estão nele.
Sexualmente também pode acontecer coisas semelhantes. A mulher imagina que é muito amada e na verdade seu parceiro é apenas bom de cama, para ser mais explícita. Outros até talvez não sejam tão carinhosos, mas seus corações podem ser mais leais e fiéis ao que sentem. Compreendem a complexidade?
Ainda podemos conhecer alguém em um momento de carência de nossa vida. Tanto nós como o outro vamos mudando através da experiência que vivemos, do tempo e suas transformações, portanto os bons relacionamentos são aqueles onde vamos nos recasando, nos adaptando de forma satisfatória para os dois através do tempo. Segundo esse estudioso citado, algo raríssimo de acontecer.
Bem, o importante é que cada pessoa que chega em nossa vida em um momento que queremos viver uma história nos trará uma experiência enriquecedora, mesmo que não seja para sempre.
O que vale não é apenas o tempo que estamos ao lado de uma pessoa, mas a intensidade dos momentos que nos uniu.
O importante é não nos tornamos amargos e dar tempo ao tempo acreditando que o amor deve ser amado sem julgarmos que só uma pessoa detém esse poder em nossa vida. O amor verdadeiro é maior que ele mesmo. O amor verdadeiro é também o outro nome de Deus. Mas até chegar nele, talvez tenhamos que viver histórias que nos façam enxergar além das aparências e das necessidades que cada um tem de viver o romance em sua vida. E se aconteceu isso em sua vida e lhe trouxe satisfações, que bom que aconteceu: você por inteiro conheceu alimentos físicos, emocionais e quiçá, espirituais que a (o) transformaram em um ser maior e melhor, pela experiência de vida. Esse pode ser o começo da Sabedoria, que nos ensina a amar de verdade.